quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

                 Lágrima
Congelei uma lágrima
... no silêncio das areias.
Observo-a: cristal,
vítrea, sofrida
ou água de mar apenas.
Encostei-a à lua
para não voltar líquida,
lágrima,
pedaço de lua e de mim.
Não a quero de volta,
salgada, branca.
Talvez um tempo sem tempo,
sem chuva dos olhos
ma devolva
e nas minhas mãos aqueça,
me lave, me emudeça,
e desperte.
Até esse dia sem horas
que ela seja numa noite,
ausência de ventos e palavras,
dor,
qual caixa de Pandora
encerrada em silêncios.
Esperarei com as ondas,
uma a uma naquela praia
onde me perdi , azul,
na margem do teu regresso.
 LÍLIA TAVARES, (a publicar)









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