terça-feira, 31 de maio de 2011


Aproximando-se o dia 10 de Junho, decidi fazer este pequeno texto, informativo e ou especulativo referente á vida de Luiz Vaz de Camões. Poeta Português, considerado como o maior da língua Portuguesa e um dos maiores da Humanidade. Em tudo o que até hoje se escreveu sobre Camões, e pouco se sabe de verdadeiro sobre a sua vida, prevaleceu sempre a grandeza da sua poesia e da sua obra, especialmente de “ Os Lusíadas”, considerado como sendo o maior legado de Camões, às gerações vindouras e à Língua Portuguesa.

            LUIZ VAZ DE CAMÕES; terá nascido em Lisboa ou Coimbra, admitindo o ano de 1524 como a data mais provável do seu nascimento. Filho único de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá de Macedo, naturais de Galiza e Chaves, respectivamente. Por via paterna, Camões seria trineto de um trovador galego Vasco Pires de Camões, e por via materna aparentado com o navegador Português Vasco da Gama. Viveu em Coimbra durante alguns anos, no Mosteiro de Santa Cruz, com seu tio (padre) D. Bento de Camões. Torna-se Coimbra como o único lugar provável dos seus estudos, sendo na época a única Universidade, e dado o refinamento dos seus escritos, teria aí frequentado o curso de Humanidades. Não havendo contudo registos do Poeta pela Universidade.Jovem, elegante, altivo e de porte fino, abandona os estudos e vai viver para Lisboa entre 1542 e 1545, trocando os estudos pelo ambiente da corte de D. João III, onde conquista fama de poeta mas também de boémio. Era comum a carreira militar entre os jovens, onde ingressa. Em 1549, segue para Ceuta mantendo as suas potencialidades de guerreiro, num cerco com os mouros é atingido, pela fúria de uma seta, que lhe vaza o olho direito. Regressa a Lisboa, e retoma a sua vida de boémio e trovador. Terá nesta altura, vivido o seu grande amor, proibido, supõe-se que por uma senhora casada, mantendo o anonimato da sua amada, sob o anagrama de “Natércia” sendo o objecto de paixão, imortalizado na sua lírica, …
…"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer”...
São-lhe atribuídos vários amores por damas da Corte, e até pela irmã do Rei D.João III (infanta Dª Maria). Em desgraça perante o rei, este envia-o para o desterro. Não existe porém factos documentais de que tal tenha acontecido.
 Segundo Manuel de Faria e Sousa seu principal Biógrafo e comentador, em 1550 Camões destina-se a passar à Índia. Vem no registo da Armada desse ano o seguinte:
            (transcrevo) …" Luís de Camões, filho de Simão Vaz e Ana de Sá, moradores em Lisboa, na Mouraria; escudeiro, de 25 anos, barbirruivo, trouxe por fiador seu pai; vai na nau de S. Pedro dos Burgaleses”… (fim transcrição).
Ia entre os homens de armas, mas afinal não embarca.
Envolve-se n’uma rixa, e fere um certo Gonçalo Borges. È preso e passados três anos, libertado por carta régia de perdão de 3 de Março de 1553.
É dia de liberdade para Camões. O poeta deixa as masmorras sob duas condições: primeiro tem de pagar multa de 4 mil réis, e depois embarcar para a Índia e servir por três anos na milícia do Oriente. Ainda em Março de 1553, o poeta parte para Goa na frota comandada pelo capitão Fernão Álvares Cabral. É soldado raso. Chega à capital da Índia portuguesa seis meses depois. Pena e papel sempre à mão, o poeta escreve sobre o que vê:
... “Cá, onde o mal se afina e o bem se dana,
E pode mais que a honra a tirania;
Cá, onde a errada e cega monarquia
Cuida que um nome vão a Deus engana;
(...) Cá neste escuro caos de confusão,
Cumprindo o curso estou da natureza.
Vê se me esquecerei de ti, Sião!" …
Para ganhar alguns trocados, Camões escreve versos e autos por encomenda. O poeta também se torna escriba público. Fim do período obrigatório na milícia, Camões é nomeado provedor-mor em Macau. Descobre uma estreita gruta, que usa como refúgio. Passa horas a escrever o que viria a ser a sua grande obra “OS LUSÍADAS” a viagem épica de Vasco da Gama, em Portugal os presságios do Velho do Restelo (meu favorito), no extremo sul de África, o gigante Adamastor a tentar impedir o avanço das naus Portuguesas. Heróis trágico-marítimos; deuses mitológicos, paixões, intrigas, batalhas, aventuras e cobiças. Histórias de um minúsculo Portugal em expansão.
«Eu sou aquele oculto e grande Cabo
A quem vós chamais de Tormentório.»…
È acusado de apropriação de dinheiro alheio, e tem de ir a Goa para responder a um inquérito judicial.
No regresso, ocorre o histórico naufrágio.
            Camões está na Costa do Camboja, próximo do Rio Mecom, salta do barco. Um turbilhão de água, escassez de ar. Braçadas e mais braçadas, leva consigo apertados ao peito “OS LUSIADAS”. Camões nada incansavelmente para terra firme, tenta salvar a sua vida e a sua Obra. Conseguiu, está vivo, e o manuscrito salvo.
            Vive em Goa até 1556. A sua obra provávelmente concluída nesta data, foi publicada pela primeira vez em 1572, no período literário do classicismo, três anos após o regresso do autor do Oriente.
Obra poética considerada a epopeia portuguesa por excelência, é dedicada ao rei D. Sebastião de Portugal. A acção central é a descoberta do caminho marítimo para a índia por Vasco da Gama, á volta do qual se vão desenrolando outros episódios da História de Portugal, glorificando o Povo Português, é composta de dez cantos, 1102 estrofes.
Em 1579 a peste assola Lisboa. Camões adoece, está fraco e possui muita febre, sua mãe permanece ao seu lado, apoiando-o. O autor de “Os Lusíadas” está muito fraco mas insiste em escrever.
"Foge-me, pouco a pouco, a curta vida,
Se por acaso é verdade que inda vivo;
(...) Choro pelo passado; e, enquanto falo,
Se me passam os dias passo a passo.
Vai-se-me, enfim, a idade e fica a pena."…
            A mãe deixa o quarto, prato de comida intacto nas mãos. O poeta já não reage. Desvanece. Lisboa 10 de Junho de 1580. Morre Camões.
 Assinala-se o dia da sua morte, como: Dia de Camões e das Comunidades Portuguesas.

-Este texto é uma pequena síntese da sua pobre, mas grandiosa vida. Prezando a sua vivência terrena como verdades, e não simples histórias lendárias a sua vida foi tão recheada de peripécias e aventuras que, para os padrões da época; … Camões bem poderia ter sido um Super – Herói, como os que hoje habitam na imaginação e nas cabecinhas das nossas crianças.
O seu génio literário é comparável ao de Dante, Cervantes e Shakespeare. Contudo muitos de nós não possui literacia para a compreender, acabando por não perceber o valor que outros restantes lhe atribuem.
      
  Kadina Travassos

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